A Vocação do Cristão

outubro 3, 2017 No Comments

Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome sua cruz cada dia, e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; e quem perder a sua vida por causa de mim, esse a salvará”. (Lc 9,23-24)

Todos nós temos um chamado específico para amar e servir a Deus neste mundo, uns são chamados ao matrimônio, amando a Deus em família e ajudando-se mutuamente a não desviar o olhar do nosso destino, o céu; outros são chamados à vida religiosa, consagrando sua vida completamente à Deus e dedicando-se a oração e ao serviço pela salvação das almas e conversão dos pecadores; alguns homens são chamados ao sacerdócio, configurando-se à Cristo bom pastor, para ministrar os sacramentos de Cristo na Igreja e orientar o povo de Deus, segundo a doutrina da Igreja de Cristo. Entretanto, todos os cristãos têm um chamado único, um chamado que nos une na mesma vocação. O Concílio Vaticano II decretou através da constituição dogmática Lumen Gentium, que os cristãos têm uma vocação universal: a vocação a santidade.

Muitos vivem como a santidade fosse algo distante de nós, algo que é para alguns escolhidos de Deus, porém, a vocação de ser santo é universal e envolve algo que muda completamente nossas atitudes do dia-a-dia: o amor. Nisto se resume a vida de todos os santos, quando amamos verdadeiramente a Deus nos irmãos, as nossas atitudes não serão mundanas, serão divinas. A santidade, nada mais é do que amar verdadeiramente a Deus. Aquele que ama não mede esforços para agradar o amado, por isso o ato de ajudar o próximo e doar-se a Deus não se torna um peso, mas uma alegria, pois quando agradamos a pessoa que amamos nos sentimos felizes com isso. Santo Agostinho já dizia “Ama e faz o que quiseres”, amar não nos aprisiona, pelo contrário, praticamos a nossa essência, fomos criados por amor e para amar.

Conhecendo e buscando viver esse chamado que Deus nos faz, cada pessoa recebe um caminho específico para exercer a santidade, muitos são chamados para amar a Deus como leigos através do matrimônio, porém, aqueles que são chamados a consagrar-se a Deus como membros do clero ou como religiosos, muitas vezes causam espanto em uma sociedade que não tem o olhar voltado às coisas divinas, pois uma vida consagrada é um sinal ainda mais visível da presença de Deus.

Quando um jovem rapaz ou uma jovem moça recém-formados decidem abrir mão de tudo (família, bens, namoro, emprego etc.) para entrarem no seminário ou no convento, a sociedade fica escandalizada com a decisão vocacional. É inconcebível, numa mentalidade mundana, que jovens possam renunciar ao sexo, a vaidade e ao bem-estar econômico. Essa indignação é gerada pelo fato de não conseguirem buscar outra coisa que não seja dinheiro e prazer, não aceitam a superioridade divina sobre o ser humano e consideram a fé algo ultrapassado.

A mesma cena se repete quando a vocação do matrimônio é vivenciada segundo a ordem divina. Um casal que no namoro conservou a castidade, decidiu se casar na igreja, ter uma família numerosa, e mesmo com as dificuldades e desentendimentos, não se abandona e defende o verdadeiro casamento, eles geram tanta indignação na sociedade mundana quanto um jovem celibatário.

Ambos atenderam ao chamado de Deus, e entregaram-se totalmente, confiando que o Senhor por meio das suas vocações realizará grandes obras de salvação, porque esse é o desejo do cristão vocacionado, testemunhar o reino de Deus e salvar as almas, não se colocando acima dos outros, mas renunciando a si mesmo por amor a Deus e ao próximo.

Dinheiro e prazer não podem trazer a felicidade plena, quem os busca acima de tudo tenta ocupar um espaço que só pode ser preenchido por Deus. Se Deus é amor e nós somos a sua imagem e semelhança, a nossa essência também é amor; fomos criados para amar, e como todo cristão tem a vocação à santidade, devemos buscar uma maior intimidade com Deus, para que de todo coração, possamos atender, com amor e confiança, ao chamado que Ele tem para nós.

 

 

Kleber Alexandre Costa

Seminarista

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