“Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé”. A vida de um coroinha que achava que não tinha capacidade de ser sacerdote.

março 9, 2018 No Comments

“Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé” (2Tm 4,7). Assim, hoje, o dia nos amanheceu triste com o falecimento do Cônego Mauricio Pilon. Triste porém na certeza de que ganhamos mais um intercessor que estará ao lado de Monsenhor Santamaria. Hoje possivelmente a recepção de Deus será com apenas uma frase que resplandece e traduz a vida do sacerdote: “Servo bom e fiel”. Assim Deus presenteou Vera Cruz com um homem Santo, cujo ardor missionário fez render frutos a Igreja de Cristo e que hoje, nos abandona para contemplar Deus face a face. Também agora o Cônego pode contemplar face a face Àquela de quem era devoto: Nossa Senhora.

Desde criança, como coroinha, sentia forte vocação ao sacerdócio. Muito humilde, indagava consigo mesmo: “Será que conseguirei ser um bom Padre? É uma responsabilidade muito grande…”. Os anos se passaram e o tempo deu a ele a resposta com um brilhantismo inigualável: com 65 anos de sacerdócio terminou a vida do missionário canadense que ajudou Dom Hugo Bressane de Araújo na construção física e espiritual da Diocese de Marília. Recebeu deste bispo o título de Cônego pelo brilhantismo de seus trabalhos na diocese e também por seu exemplo de vida e de presbiterato. Tudo aquilo que em sua vida, por palavras e atitudes, pregou e testemunhou, agora nos céus é recompensado pelo encontro com o Amor divino!

Em sua infância, foi esportista e era goleiro de Hóquei. Ajudava o Padre na pequena cidade de São Pedro, próximo a Montreal, Canadá e sentia forte apelo sacerdotal. “Um dia fui orar no sacrário pois estava em dúvidas se me tornaria sacerdote e se iria para o seminário. Orando, naquele momento senti uma forte mensagem que dizia: “Antes de saíres do teu ventre, eu te conhecia, eu te consagrei”. Sou feliz por ser um servo de Cristo.” dizia Padre Maurício, apelidado carinhosamente por algumas pessoas como “Menino Jesus”, devido ao aspecto de seu cabelo.

Sempre se esforçou, até seus últimos dias, apensar das limitações da idade, pela evangelização, atendendo confissões, participando e celebrando Missas e sendo diretor espiritual da Legião de Maria. Possuía homilia centrada em reflexões, sempre transfigurando a maternidade da Virgem Maria, nossa Mãe que está conosco para nos guiar e orientar nas dificuldades da vida.  Cravou em toda diocese de Marília o grande amor a Cristo Eucarístico e a Nossa Senhora. Chegou em Vera Cruz em 1998 e se tornou o sacerdote, depois de Monsenhor Florentino Santamaria, que mais permaneceu em nossa comunidade: 20 anos. Assim cumpriu-se o que sempre fazia questão de nos lembrar: “continuarei aqui em Vera Cruz, trabalhando e celebrando até o último suspiro de minha vida!”.

Descanse em paz bom pastor. Descanse em paz servo bom e fiel.

Pastoral da Comunicação – Santuário Sagrado Coração de Jesus

 

Biografia:

Filho de Leon Pilon e Maria Rosa Bedard, primogênito de uma família de nove irmãos, nasceu no dia 14 de maio de 1922, em São Pedro, cidade próxima a Montreal, Canadá.Desde criança, como coroinha, sentia forte vocação ao sacerdócio.  Muito humilde, indagava consigo mesmo: “Será que conseguirei ser um bom Padre? É uma responsabilidade muito grande…”. Os anos se passaram e o tempo deu a ele a resposta com um brilhantismo inigualável. Foi e continua sendo, mesmo com as limitações da idade, um “servo da vinha do senhor”, devoto fervoroso da Eucaristia e de Maria Santíssima. Um Padre cuja santidade transparece o rosto missionário de Cristo Jesus. Fez estudos secundários no Colégio Bourget Rigaud, dirigido por Padres de São Vitor, cursou filosofia no seminário menor Trois-Rigaud e Teologia no seminário maior de Ottawa. Foi ordenado sacerdote no dia 25 de abril de 1952, na catedral da Diocese de Ottawa.

Vinda Para o Brasil e a paróquia de Monte Castelo

Exerceu o sacerdócio no Canadá até a década de 1960, quando veio para o Brasil a pedido de Dom Hugo Bressane de Araújo, para suprir a falta de sacerdotes da recém criada Diocese de Marília. Para se adaptar a língua portuguesa foi necessário um período de estudos no Colégio Cristo Rei de Marília. No dia 22 de novembro de 1961 assumiu a cidade de Monte Castelo como pároco. Foi um grande desafio, já que a comunidade não era dotada de estrutura física e trabalho pastoral. No início, ficou hospedado na casa de um paroquiano. Foi na convivência dessa comunidade que aprendeu a amar o povo brasileiro, principalmente os pobres. Foi caminhando com alegrias e tristezas desse povo e se tornando um padre cada vez mais brasileiro. Do Canadá, restava apenas o sotaque, que permanece até hoje.

 

Título de Cônego e Formação acadêmica no Brasil

No Brasil, cursou Ciências Religiosas e Sociologia pela Universidade de São Paulo (USP). Em 1967 recebeu de Dom Hugo Bressane de Araujo o título eclesiástico de Cônego pelo brilhantismo de seus trabalhos na diocese de Marília e por seu exemplo de vida. Um ano depois, retornou ao Canadá, atendendo solicitação do bispo de Ottawa, a fim de reanimar a paróquia de Hammond. Nesta comunidade o trabalho de evangelização era desenvolvido tanto na língua inglesa, quanto na francesa, uma vez que é comum a utilização das duas línguas nessa região. Já em 1975 retorna ao Brasil, em virtude da solicitação de Dom Frei Daniel Tomazella, que o designou pároco de Oriente. Nesta cidade, trabalhou por 17 anos fazendo um intenso trabalho de organização e dinamização das Pastorais. Em 1992, por solicitação de Dom Osvaldo Giuntini, retornou a Monte Castelo, onde trabalhou como Pároco, até março de 1998.

Vinda para o Santuário Sagrado Coração de Jesus

Em abril de 1998, em atenção às necessidades da comunidade de Vera Cruz, Dom Osvaldo Giuntini o nomeou Vigário Paroquial do Santuário Sagrado Coração de Jesus. Foi acolhido com muito carinho e atualmente, a beira de completar 90 anos de idade, se esforça pela evangelização de nossa comunidade, atende confissões cotidianamente, celebra Missas, é diretor espiritual da Legião de Maria. Possui uma homilia centrada em reflexões, sempre transfigurando a maternidade da Virgem Maria, nossa Mãe que está conosco para nos guiar e orientar nas dificuldades da vida. Cônego Maurício é o padre, depois de Monsenhor Florentino Santamaria, que mais permaneceu em nossa comunidade: 14 anos. Deus presenteou Vera Cruz com um homem Santo, cujo ardor missionário, não se apaga mesmo depois de 60 anos do dia em que se consagrou a Cristo e a Santa Igreja Católica.

Artigos, Notícias

Comente!