Maria, Mãe de Deus!

janeiro 1, 2018 No Comments

“Theotokos” – Mãe de Deus

O título de Mãe de Deus, juntamente com o de Santa Virgem, é o mais antigo e também fundamento de todos os outros títulos com que Nossa Senhora foi venerada e continua a ser invocada de geração em geração, no Oriente e no Ocidente conforme nos exorta o Papa Emérito Bento XVI em uma de suas homilias. “Trata-se de duas prerrogativas que são sempre proclamadas juntas e de maneira inseparável, porque se integram e se qualificam reciprocamente. Maria é mãe, mas mãe virgem; Maria é virgem, mas virgem mãe. Se omitirmos um dos dois aspectos não se compreende plenamente o mistério de Maria, como os Evangelhos no-lo apresentam. Jesus Cristo, pessoa divina, nasceu da Virgem Maria, a qual é, no sentido mais verdadeiro, sua mãe.” Bento XVI.

O apóstolo Paulo, na Carta aos Gálatas, faz referência ao mistério da maternidade divina, a Theotokos, Mãe de Deus. “Quando, porém, chegou a plenitude do tempo, enviou Deus o Seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a Lei” (4, 4). Em poucas palavras encontramos sintetizados o mistério da encarnação do Verbo eterno e a divina maternidade de Maria: o grande privilégio da Virgem consiste precisamente em ser Mãe do Filho que é Deus.

Enquanto crescia entre os discípulos a consciência, nas primeiras comunidades cristãs, de que Jesus é o Filho de Deus, clara também era a consciência e convicção de que Maria é a Theotokos. Em seu livro “A virgem Maria”, São João Paulo II nos diz que a expressão grega Theotokos, literalmente significando “aquela que gerou Deus”, nos faz refletir a questão sobre como é possível que uma criatura humana gere Deus. A resposta da fé da Igreja é clara: a maternidade divina de Maria refere-se só a geração humana do Filho de Deus e não, ao contrário, à sua geração divina. O Filho de Deus foi desde sempre gerado por Deus Pai e é Lhe consubstancial.

Proclamando Maria “Mãe de Deus”, a Igreja quer, portanto, afirmar que Ela é a “Mãe do Verbo encarnado, que é Deus”. Por isso, a sua maternidade não se refere a toda a Trindade, mas unicamente à segunda Pessoa, ao Filho que, ao encarnar-se, assumiu dela a natureza humana. Maria, portanto, tendo gerado segundo a natureza humana a pessoa de Jesus, que é a pessoa divina, é Mãe de Deus.

Essa verdade foi aprofundada e compreendida como pertencente ao patrimônio da fé da Igreja, já desde os primeiros séculos da era cristã, até ser solenemente proclamada pelo Concílio de Éfeso no ano 431.

Sob o título de “Mãe de Deus”, contemplamos com admiração e celebramos com veneração a imensa grandeza conferida a Maria por Aquele que quis ser seu Filho. Remete-nos ao Verbo de Deus que, na Encarnação, assumiu a humildade da condição humana, para elevar o homem à filiação divina. Mas esse título, à luz da dignidade sublime conferida à Virgem de Nazaré, proclama também a nobreza dessa mulher e sua altíssima vocação.

Mãe de Cristo, Maria é também Mãe da Igreja, como o Servo de Deus Paulo VI quis proclamar a 21 de Novembro de 1964, durante o Concílio Vaticano II. Por fim, Maria é Mãe espiritual de toda a humanidade, porque Jesus derramou o seu sangue na cruz por todos, e a todos confiou da cruz à sua solicitude materna.

“Que a Virgem Maria, que hoje veneramos com o título de Mãe de Deus, nos ajude a contemplar a face de Jesus, Príncipe da Paz. Que Ela nos ajude e nos acompanhe neste novo ano; que Ela obtenha para nós e para o mundo inteiro o dom da paz. Amém!” Bento XVI.

 

Pastoral da Comunicação – Santuário Sagrado Coração de Jesus 

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