Papa alerta sobre “fake news” em Mensagem para Comunicação

janeiro 29, 2018 No Comments

No contexto das fake news, Papa dedica mensagem ao tema da verdade

Da redação, com Boletim da Santa Sé

“A comunicação humana é uma modalidade essencial para viver a comunhão”. Afirma o Papa Francisco na mensagem para o 52º Dia Mundial das Comunicações Sociais, divulgada nesta quarta-feira, 24, pelo Vaticano. Após elevar a capacidade humana de expressão, compartilhamento e construção da sua própria memória, o Pontífice faz um alerta sobre o egoísmo, sentimento apontado por ele como capaz de distorcer a comunicação e a verdade, em prol de um bem individual ou coletivo.

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As “fake news” — notícias falsas — foram apontadas pelo Papa como um tema a ser refletido. De acordo com o Santo Padre, estas “notícias” verossímeis — aquilo que parece intuitivamente verdadeiro, mas não é — são capazes de chamar a atenção dos leitores, apoiadas sobre estereótipos e preconceitos generalizados, e explorar emoções como ansiedade, desprezo, ira e frustração. A difusão destes conteúdos falsos acontecem em sua maioria pelas redes sociais, onde ganham visibilidade e tornam seus danos irreversíveis.

As notícias falsas, que segundo Francisco visam objetivos prefixados — como influenciar opções políticas e favorecer lucros econômicos —, devem ser erradicadas em uma corrente de conscientização das pessoas que interagem a partir deste tipo de conteúdo. Para o Pontífice, as “fake news” geram ambientes digitais de confronto, de descrédito do outro, que passa a ser visto como um inimigo. Uma demonização, que de acordo com Francisco, pode fomentar conflitos.

Diante deste drama da desinformação que gera, segundo o Santo Padre, intolerância, arrogância e ódio, o Papa afirmou que as “fake news” seguem a “lógica da serpente”, citada na narração do pecado original como figura de confusão e tentação para o homem e para a mulher. “Este episódio bíblico revela assim um fato essencial para o nosso tema: nenhuma desinformação é inofensiva, antes pelo contrário, fiar-se daquilo que é falso produz consequências nefastas. Mesmo uma distorção da verdade aparentemente leve pode ter efeitos perigosos”, advertiu o Pontífice.

Comunicar a verdade

O Papa manifestou seu desejo de contribuir para a prevenção da difusão dessas notícias falsas, e para a redescoberta do valor da profissão jornalística e da responsabilidade pessoal de cada um na comunicação da verdade. Francisco caracterizou como louváveis as iniciativas que ensinam homens e mulheres a aprender como ler e avaliar o contexto comunicativo, e a não ser divulgadores inconscientes de desinformação, mas atores do seu desvendamento. As iniciativas institucionais e jurídicas também foram valorizadas pelo Pontífice. “O antídoto mais radical ao vírus da falsidade é deixar-se purificar pela verdade, afirmou Francisco.

De acordo com o Santo Padre, o homem descobre sempre mais a verdade quando a experimenta em si mesmo como fidelidade e fiabilidade de quem o ama. “O melhor antídoto contra as falsidades não são as estratégias, mas as pessoas: pessoas que, livres da ambição, estão prontas a ouvir e, através da fadiga dum diálogo sincero, deixam emergir a verdade; pessoas que, atraídas pelo bem, se mostram responsáveis no uso da linguagem”, comentou o Pontífice.

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Jornalismo de Paz

Por fim, o Papa direcionou sua mensagem aos jornalistas, que segundo ele, por profissão são obrigados a ser responsáveis ao informar, e que, como guardiões das notícias, não desempenham apenas uma profissão, mas uma verdadeira e própria missão. “[O jornalista] tem o dever de lembrar que, no centro da notícia, não estão a velocidade em comunicá-la nem o impacto sobre a audiência, mas as pessoas. Informar é formar, é lidar com a vida das pessoas. Por isso, a precisão das fontes e a custódia da comunicação são verdadeiros e próprios processos de desenvolvimento do bem, que geram confiança e abrem vias de comunhão e de paz”, relembrou o Pontífice.

Francisco convidou os profissionais de comunicação a promover um jornalismo de paz, que não negue a existência de problemas graves, mas que pelo contrário, não use de fingimentos, seja hostil às falsidades, a slogans sensacionais e a declarações bombásticas, um jornalismo a serviço de todas as pessoas, que não se limite a queimar notícias, mas que se comprometa na busca das causas reais dos conflitos, favorecendo a compreensão das raízes e empenhado em indicar soluções e alternativas.

O Santo Padre encerrou sua mensagem, inspirado na oração franciscana da paz. “Senhor, fazei de nós instrumentos da vossa paz. Fazei-nos reconhecer o mal que se insinua em uma comunicação que não cria comunhão”, diz um dos trechos da oração.

Fonte: Canção NOva

https://noticias.cancaonova.com/especiais/pontificado/francisco/mensagem-para-dia-das-comunicacoes-papa-alerta-sobre-fake-news/

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